(500) dias com ela

[entrada de texto de número 192]

>oi sou eu, pode acreditar

>vou usar um conhecido status de whatsapp meu “mas é que hoje é um dia triste, nublado, cinza”

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>não, não é hoje o tal dia triste… hoje é um dia classificado nos periódicos como “normal”.

>tão normal quanto a luz do dia, tão normal como o fato de que fico vários meses ou várias semanas sem escrever nada aqui.

>ah… quanto ao filme que tem a honra de estar no título dessa postagem – afinal de contas não são muitos que conseguem a proeza – recomendo que não assista.

>recomendo muito mais que seja como eu, o evite. recomendo que tenha contato com uma música qualquer de sua trilha sonora, e quando faça o download apareça lá 500 days of summer.

>agora são 02h08min da terça dia 02 de maio

>recomendo mais ainda, se vc me permitir, que seja a seguinte música a primeira a te apresentar o filme: <<Please, Please, Please, Let Me Get What I Want>>

>pq a obra cinematográfica é, antes de tudo, uma experiencia e, como algo que se experimenta, tomara eu que vc não coma primeiro logo a parte menos bacana do bolo

>brincadeira, vc comece como quiser. se quiser ligar agora o filme num site pirata, que o faça. mas foi como se eu namorasse o filme, ao ouvir aquela primeira música pela primeira vez.

>quando se ouve algo gostoso pela primeira vez, só naquele instante, que é finito e pequenino, de perdimento da virgindade, é mágico!

>enfim

>depois, quando vi o começo do filme pela primeira vez depois de um intervalo de anos entre a música e a película… depois de o rejeitá-la inconscientemente, de não procurá-la ver… me ganha o coração com uma mulher chamada regina spektor.

>vc não vai saber, oh leitor anonimo e escondido, imaginário. vc não vai saber – nem tem como saber – que tenho o cd inteiro da regina baixado independentemente da trilha desse 500 dias de não sei oque… não saberia nunca o quanto gosto de ouvir a primeira dela e PORRA tinha duas!

>e a segunda, meu amigo, rasga o coração de qualquer mulher libriana, que dirá de um homem com espírito de corno ou com a cabeça nas nuvens

>Ah então vc vai chover no molhado e falar de toda a maravilhosa e aclamada e amada e aplaudida e foda e totalmente famosinha trilha sonora desse filme? pífio.

>não, não conheço toda a trilha, não a tenho baixada – ao contrário de a trilha indiada-americana de quem quer ser um milionário. não me interessa essa porra dessa trilha sonora, me interessa essas músicas de início, que me abriram a alma para o roteiro e a fotografia.

>recomendei que não visse o filme. mas se lhe aprouver assistir, se assim lhe apetece, vai lá. assista pq ele, assim como pulp fiction, é não-linear.

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>essa foi uma imagem aleatória que uma das páginas do face me sugeriu, olha que loucura.

>o filme conta a história e bla bla bla bla – não ler resenhas de filme, não contar o roteiro, isso deixa a magia de perder a virgindade do filme acontecer.

escrever de novo sobre eu mesmo

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esses dias uma pessoa disse ter passado os olhos pelo meu blog.

certamente viu meu curriculum mega desatualizado.

e se atualizado fosse, pouco interessaria.

depois deve ter passeado por “todas as postagens”.

notou que no começo do blog, sei lá, em 2010.. eu escrevia coisas que meu coração mandava, independentemente da vergonha de alguém ler.

e que, agora em 2015 por exemplo, escrevo sobre os outros, querendo me esconder e mostrar cada vez menos do meu mundinho.

tem razão.

alguém pode ter me dito “que careta ter um blog” e eu pretendido ser mais descolado ao dizer coisas sobre os assuntos do momento ou alguma coisa que li, etc.

por exemplo, o que estou lendo agora (ou melhor, já terminei):

“QUE DIABOS ACONTECE NO FINAL DE TAXI DRIVER?

PUBLICADO POR RENZO MORA

A quem pertence um filme depois que ele está pronto?

Você já sabe e deve ter visto uma porção de vezes: Travis Bickle (Robert De Niro) está ficando pior. No terço final do filme, sua trajetória rumo à loucura está praticamente completa. Ele adota um corte de cabelo estilo mohawk – o que não é uma boa ideia nem para jogadores de futebol brasileiros. Depois segue para um comício e tenta matar o Senador Palantine, mas levanta a desconfiança do Serviço Secreto e desiste. Segue em frente. Vai para o bordel onde salvará uma menina de doze anos que se prostitui, Iris (Jodie Foster). Acontece uma carnificina e ele consegue eliminar as pessoas que exploram a jovem. Por fim, ele tenta se matar. Falta munição. Aparece a polícia e ele imita um revólver com a mão, “atirando” contra a própria têmpora.

Depois disso, vemos um Travis recuperado. Ele é tratado como um herói. Ele coleciona recortes de jornal que saúdam seu gesto. Ele recebe uma carta dos pais de Iris o agradecendo. Ele volta a dirigir o táxi pelas ruas de Nova York e reencontra sua paixão, Betsy (Cybill Shepherd). Ela diz que acompanhou sua história pelos jornais e que sabe que ele é um herói – o que ele nega. Ele a deixa em seu destino sem cobrar a corrida. Ele olha nervosamente pelo espelho retrovisor e o filme termina abruptamente.

O crítico Roger Ebert acha que há algo mais nestas cenas e sugere que nada deste segmento final pode ter acontecido. Ele pensa que Travis pode não ter sobrevivido ao tiroteio. Segundo esta linha, tudo o que se segue à cena do bordel passa-se exclusivamente na cabeça da personagem e são seus delírios finais. O reconhecimento de sua amada. A aceitação. A salvação da prostituta infantil e sua reintegração ao lar. “A sequência final segue como música, não como drama. Ela completa a estória em um nível emocional, não literal. Nós terminamos não com uma carnificina, mas com uma redenção, o que parece ser o objetivo de muitas das personagens de (Martin) Scorcese”, escreveu Ebert. Negando esta interpretação, temos ninguém menos do que o diretor. Ele diz que o olhar nervoso do taxista que encerra o filme é uma insinuação de que ele não está curado. Ele pode (e provavelmente vai) explodir novamente. Sua fúria está guardada, esperando apenas um gatilho qualquer para ser detonada novamente. O autor do filme, Paul Schrader, confirma esta visão. Ele nega ter pensado na cena como os delírios de um moribundo. O final, em que o motorista olha inquieto para alguma coisa em sua traseira, seria algo como um retorno ao começo da estória – como se ele pudesse ser incorporado ao início e o filme entrasse em um looping pérpetuo.

É uma pena. A interpretação de Ebert faz Taxi Driver crescer ainda mais.

Mas, enfim, a quem pertence uma obra – aos autores ou a quem a viu e enxergou alguma coisa a mais? Entrevistando o diretor Sidney Lumet sobre seu filme “Assassinato no Expresso do Oriente”, Paulo Francis sacou: “É sobre Watergate, não é?”. Claro que não era. Tratava-se de um filme de entretenimento, bem feito, mas nada além disso. Lumet trucou e concordou. Se um intelectual estrangeiro queria enxergar algo de mais profundo em seu trabalho, para que negar? O que ele tinha a perder? A prova de que era um blefe de Lumet está no fato dele nunca ter mencionado novamente esta pretensa alusão ao escândalo de espionagem.

E, mais uma vez, a quem pertence uma obra depois de entregue ao público? Se quisermos enxergar Nixon nas aventuras de Hercule Poirot, quem é Lumet para nos dizer que não? Se quisermos pensar que Travis vê a morte estendendo a mão para ele no espelho do seu carro, quem é Scorcese para nos tirar esse gosto? Alguns filmes – mesmo os grandes, como Taxi Driver – podem ficar melhores com o que acrescentamos a eles depois que as luzes do cinema acendem. E eles abandonam seus criadores e passam a nos pertencer no exato momento em que são exibidos”.

RENZO MORA
Renzo Mora é escritor e roteirista. Publicou os livros “Cinema Falado”; “Sinatra – O Homem e a Música”; “Fica Frio – Uma Breve História do Cool” e “Frank, Dean & Sammy: 3 Homens e Nenhum Segredo”.
Saiba como escrever na obvious.

Thor Gn’r • 5 meses atrás
Eu me canso dessas coisas de “alucinação” “Delirio”. Pra mim, em certos casos (a maioria deles) acabam com a graça da coisa. O autor e o diretor nunca dariam um final tão bosta assim pra um filme com tal visão.
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Roberto Gilnei Jr. Thor Gn’r • 2 meses atrás
Bem, como o próprio Scorcese negou que fosse alucinações pré-morte, fica então evidente que a intenção dele foi mesmo a de redenção do personagem do De Niro. Eu sinceramente não gosto disso, não gosto dessa coisa de “final feliz”. Ainda mais que filme se propõe a abordar a realidade nua crua e finaliza fugindo da realidade. O personagem do De Niro estava loucão demais para voltar a trabalhar como taxista. Jamais conseguiria viver a vida que vivia antes.

5id Vicious • 6 meses atrás
A interpretação de Ebert é interessante, mas pode ser vista como uma tentativa de se conferir razão ou sentido ao que aparentemente seria absurdo ou ilógico. A questão que poderia ser feita a Ebert é: mas a realidade não é, de fato, muitas vezes absurda, “irreal”? Na verdade, a leitura de Scorsese é talvez até mais interessante ou complexa do que a de Ebert. Senão vejamos: a intenção primeira de Travis era cometer um atentado contra o candidato da mulher que o rejeitou (de acordo com a razão louca de Travis, a destruição daquele que “atraía” Betsy para fora do seu bizarro mundo), ao mesmo tempo que deixaria dinheiro para Iris. Estaria morto já, após cometer o atentado. Mas tudo deu errado, ou melhor, saiu o avesso do que ele queria. O atentado sem sentido acabou frustrado, e a saída de Íris do submundo não foi suave e sim violenta (com a matança dos gigolôs etc.). Das consequências não esperadas por Travis derivaram outras, como a de sua “popularidade” entre os colegas e a mídia, que atraiu inclusive Betsy, a mesma que o havia rejeitado por considerá-lo abjeto. A moral da história de Scorsese seria que: 1) todos temos uma visão enviesada da realidade; 2) agimos sobre a realidade em função desta visão distorcida, conferindo a ela um sentido que é apenas subjetivo (e, no limite, lunático, absurdo); 3) a realidade objetiva reage de modo tão aleatório ou improvável quanto é arbitrária ou subjetiva a visão que o indivíduo possui dela; 4) das ações e reações decorrem uma mudança da realidade que nunca anula o fato de que continuaremos possuindo visões, entendimentos ou interpretações dela que são distorcidas, arbitrárias, subjetivas etc.; 5) não há como escapar desta dinâmica, que simplesmente expressa a natureza tensa, conflituosa, furiosa de nossas relações com o mundo.

A fúria de Travis é apenas uma caricatura das tensões e conflitos que todos experimentamos ao viver em uma sociedade mutante, ambígua, complexa, contraditória etc. Como toda caricatura, trata-se de uma amplificação do fenômeno real, para melhor percebê-lo, observá-lo e aprender com ele.
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Roberto Gilnei Jr. 5id Vicious • 2 meses atrás
O personagem é, na primeira parte do filme, retratado como um ignorante no sentido de desconhecimento. Ele é perguntado sobre conhecimento na hora do emprego e desconversa. A Betsy pergunta sobre música e ele confessa estar por fora do que é moda. Depois perguntam pra ele sobre política, e ele também não sabe de nada. Apesar disso, ele não é um cara irracional. Por isso, eu acho fraca essa motivação de ele tentar matar o presidente para atingir a mulher que lhe causou decepção amorosa. Se ele quisesse vingança, faria algo que atingisse diretamente a Betsy. Por mais a loucura dele viesse a aumentar, ele ainda conservava a moralidade. Tanto que se recusou a tocar na menor de idade que se oferecia para ele. Ele poderia ter se aproveitado da situação, mas não o fez.
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Danton • um ano atrás
Discordo que a obra fique maior com algum teor interpretativo sobrenatural – qualquer obra , seja literária ou cinematográfica – como a morte estendendo cumprimento , etc. etc. Qualquer outra visão, filosófica , social , cultural que vise explicar um desfecho ou amplamente é bem mais salutar a própria obra.
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CERR • um ano atrás
Um grande filme com um final absurdo, completamente fora da realidade. Realmente essa interpretação de Ebert é uma tentativa de não se fazer perder a grandeza do filme com um final totalmente sem noção, mas é evidente q não era essa intenção do autor. De qualquer modo, valeu pela boa vontade Ebert, vc é o cara. Agora sim, final genial.
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José Lucas Ignácio • um ano atrás
Pra mim, a interpretação de Ebert foi muito viajada. Prefiro a versão do autor.

© obvious: http://lounge.obviousmag.org/renzo_mora/2013/08/que-diabos-acontece-no-final-de-taxi-driver.html#ixzz44Eu4B7pV

bem, isso é sobre um filme de 1976 chamado “taxi driver”.

fui assistindo ele em pedaços, é muito bom.

talvez porque eu, assim como o protagonista, moro sozinho e tenho que forçosamente conviver com meus pensamentos.

eu dificilmente fico bravo, maior parte das vezes fico triste com determinada situação.

a tristeza, nostalgia, melancolia é como uma substância jogada na veia capaz de fazer com que eu repasse todas as minhas ações, reanalise-as com filtro novo, olhe como não sofrer tanto da próxima vez.

sobre eu?

bom, hoje estou advogando apenas, tendo deixado de ministrar aulas na uems após 4 anos de muita controvérsia, boa vontade, lembranças e aprendizado.

finalmente consigo viver sem ter prazos curtos de preparação de aulas, fazendo provas que certamente alguém iria reclamar depois, corrigindo trabalhos flagrantemente copiados da internet.

e pensar que eu preparava as provas com base no material que passei literalmente em sala de aula. ou seja: impossível alguém alegar deslealdade.

pois alegavam, dia após dia, mês após mês, ano após ano.

caraca porquê estou falando disso? não guardo rostos e nomes, não me deixa triste isso mais. é um alívio. mas são marcas na pele que não vou esquecer, vou sempre lembrar como o ser humano age.

quanto à advocacia?

pela primeira vez estou apenas e tão-somente mexendo com processos.

não existe empresa me enchendo (uniesp), não existe aula pra dar.

apenas poucos e parcos processos.

comecei a namorar, gosto dela e acho que ela gosta de mim. assim espero.

excluí meu facebook e saí de todos os grupos de whatsapp.

tenho um caderno de memórias, que sinceramente anoto tudo que me vem à mente e não gostaria que alguém tocasse.

no entanto, sei que pessoas desavisadas buscam entrar em minhas intimidades. na curiosidade, na inocência, na traquinagem… vão.

não é a primeira e nem será a última vez que escrevo mencionando intimidade e liberdade. pra mim, as maiores prerrogativas do indivíduo. a casa é asilo inviolável do indivíduo, suas anotações particulares e cartas enviadas são também indevassáveis, seu sigilo telefônico e telemático devem ser sacrossantos. sua índole não pode ser julgada.

e qando se divide uma vida a dois? e quando se tem amigos? e quando a família quer se aproximar? como fica a intimidade da pessoa? e qual a liberdade de escolha.

pois eu digo: procuro não pressionar que alguém tome uma decisão particular. não gosto de saber coisas que a pessoa reluta em falar. não julgo ninguém por escolhas das quais não conheço as circunstâncias. não gosto de mexer no celular alheio. não vasculho arquivos. não mexo em anotações.

mas amo quando alguém olha nos meus olhos ou me escreve, se abrindo pra mim.

esse é o verdadeiro sentimento de confiança desinteressada.