direito de livre expressão do pensamento e jogadores de futebol

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Hoje o Treinador do Flamengo, Luxemburgo, foi questionado sobre o que achava da discussão em torno do valor dos ingressos para os jogos do Campeonato Carioca. Em resposta, o Treinador disse que não poderia falar a respeito, pois ao falar do Maracanã, do Consórcio que o administra, do preço dos ingressos etc., naturalmente falaria sobre a Federação do Rio e a Competição.

Vejamos o que disse: “- Venho de uma época de ditadura, de lutar. Fiz faculdade e fazia parte do diretório acadêmico. Estamos em 2015 e não podemos falar? É uma coisa complicada por não poder opinar. O processo do futebol é o mais ditatorial do mundo atualmente. É um absurdo isso acontecer”. “- São interesses diversos, mas o interesse do futebol tem que estar acima de qualquer situação. É uma discussão que se eu falar e acontecer outra coisa, o que eu falei não serve para nada. É uma coisa complicada para mais de metro. Você pode falar o que quiser do governo da Dilma, que é incompetente, e não pode falar sobre coisas pertinentes. Como não se pode falar do Estadual com respeito? Acho que essas coisas vão mudar. Não tem como discutir uma coisa sem envolver todo mundo. O que posso falar é que estamos indo a Macaé e existe até na Libertadores a obrigação de reconhecer o gramado. Queremos treinar em Macaé e fomos proibidos. É coirmão. Parece que a cidade está contra o Flamengo. Não há lugar para treinar”.

Tais informações foram publicadas pelo respeitado portal de notícias sobre esporte, globoesporte.com, sendo que eu tomei a liberdade de reproduzi-las, literalmente, nesse espaço.

Eis o teor do artigo 133 do Regulamento da FERJ, que amedronta Luxemburgo: “A veiculação, em qualquer meio de comunicação, decorrente, direta ou indiretamente, de ato e/ou declaração, considerados contrários, depreciativos ou ofensivos aos interesses do campeonato, praticada por subordinados à presidência de qualquer associação disputante, será considerada como ato lesivo à competição e sujeitará o clube a que pertencer o agente, após decisão do Conselho Arbitral, a multa administrativa de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), dobrada a cada ato lesivo gerado por qualquer outro membro da mesma associação”.

A Constituição Federal diz, por sua vez: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato” e “é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem”

Da mera leitura do dispositivo regulamentar, é possível ver cristalinamente sua incompatibilidade com a Constituição, pois tecer comentários contrários, depreciativos ou ofensivos aos interesses do campeonato é espécie do gênero “manifestação do pensamento”, sendo que a vedação ao anonimato servirá para a punição, judicial, de eventuais abusos.

Órgãos de Defesa dos Direitos Humanos, entre eles a própria OAB, devem notificar a Federação para que imediatamente compatibilize o dispositivo à Constituição e, acaso se mantenha recalcitrante, ingressarem com pedido em Juízo.

Observação: ressalto que não sou  nem o único, muito menos o primeiro, a publicar a “lei da mordaça” do Campeonato Carioca e que existem bons textos disponíveis na Internet, suscitando a necessidade imperiosa de se conferir eficácia horizontal aos direitos fundamentais.

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gotye e liberdade de pensamento

 

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olá amigo imaginário que lê este blog, ou alguém que procurou a palavra “liberdade” no google ou no bing e veio parar aqui por um fatal acidente de percurso!

você só pode estar entediado, no final do expediente, para procurar, ainda mais no bing, uma palavra tão vaga e ampla, é ou não é?

penso que um dia a google inventará um sistema de busca que parta direto do nosso pensamento, algo como uma máquina que entenda o que pensamos e nos dê respostas variadas, um menu. Aí já era nossa liberdade íntima com nossos pensamentos, nossas teorizações, traumas: alguém poderia ver o que se passa em nossa cachola!

aí, no mínimo, o direito penal puniria desde a fase de cogitação! o que seria de chefes ameaçados de morte mentalmente não seria brincadeira!

mas enquanto isso não acontece, estamos utilizando o bom e velho livro, pensando longe, voltando às suas páginas, tornando a viajar no pensamento e no fim concluindo que não entendemos merda nenhuma do que está escrito naquela página.. rsrs ou, talvez, tecendo considerações mentais à pergunta “da onde viemos e para onde vamos?”

uma outra coisa muito legal que inventaram, em algum chuveiro por aí, foi a música! mesmo que seja em russo, ela é simplesmente incrível… vide o sucesso na Romênia da música “ai se eu te pego”!

estes dias, mais ou menos na hora do almoço, vagabundando em alguns canais de tv, apertando o dedo naquela tecla “ch” repetidamente, fui cair numa série de “melhores clipes ou músicas de 2012” e eis que surgiu um cabeludo pelado cantando “somebody i used to know”, quase morrendo nos versos iniciais.

fui lendo a legenda (ahh graças a deus inventaram a legenda! oh glória) e percebendo o encaixe simples e bacana da idéia do autor com a palavra escolhida para seguir a melodia.. de repente começa um refrão forte, um tanto mais alto, incisivo, quase que denunciante, revoltado, indignado, muito direto!

balbuciei algo como: fannnn tásssss tico.

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desde então, atrasado que sou, procurei saber quem era aquele tal de gotye e que raio de música era aquela… me surpreendi com o fato de ter sido esta canção a mais executada em rádios no mundo no ano passado (OMG) e não a musiquinha do coreano..

fiquei viciado… procurei vários vídeos no youtube e outros, principalmente ao vivo, queria ver Kimbra… gostei da idéia passada pela música, sua letra, sua dramaticidade… entendi o porquê do sucesso.

fazia tempo que não encafifava com uma música assim: aconteceu com “we are broken” do paramore, “i not your toy” do la roux, “taking pictures of you” do the kooks, “please, please, please, let me get what i want” do the smiths, “houdini” da foster the people, “manhattan” da kol, “too late to talk” do mystery jets” entre tantas outras…

desta vez encafifei feito… sem uma razão aparente: aquele som me surpreendeu, me assustou e depois acalmou minha alma num quase sono.

veja o clipe original com legendas e uma versão ao vivo, se quiser…

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